Na adolescência as garotas têm uma vaga idéia sobre o que é essencial num homem: que ele se interesse por ela. Daí passa um tempo e, lá pelos vinte, a opinião muda: o essencial é que ele não seja galinha. E beirando os trinta, depois de alguns começos, términos e uma coleção de histórias bem e mal contadas, chegamos a conclusão final: caráter, isso sim é essencial num homem.
Mas caráter é coisa complicada de se ver. Quem dera fosse tão notório como beleza ou óbvio como a inteligência, mas é sutil, mora em algum canto de acesso difícil e só sai de lá em circunstância adversas. Ou extremas. Finais de relacionamento, por exemplo. Porque é só neles que conhecemos o caráter de um homem. Ou a ausência dele.
É incrível como podemos ser felizes (na ignorância, mas felizes) até o instante em que as alianças são retiradas dos dedos e as malas, dos armários. É aí que a vida como ela é começa a acontecer: maridos amorosos se transformam em seres amargurados que fazem tudo para que suas inúmeras transas pós-separação cheguem, em detalhes, aos ouvidos ainda entristecidos da ex. Homens devotados despem a fantasia de cordeiro e lançam aos ventos "verdades" sobre a mulher que, até ontem, era maravilhosa: ela não gosta de sexo, odeia a mãe dele e é de uma carência pegajosa. Mas o pior tipo é outro, ainda mais nocivo e ainda menos evidente: o homem-rela-rela.
O homem-rela-rela é popular, divertido, bacana, apaixonado e, aos olhos da platéia (e da esposa também), o companheiro perfeito: ele a elogia em público e sua conduta com as fêmeas alheias jamais foge do "corretíssima". Mas, um dia, ela resolve se separar dele. Abismada, incrédula, a horda entoa hinos de "Tadinho, ele não merecia". Ela passa a se sentir a vaca profana que deu um pé na bunda na reencarnação de São Judas Tadeu e, de ex-mulher, vira a atual piranha que faz sofrer o pobre moço. Depois de eras de terapia, recuperada do trauma de ter agido de forma tão vil, num dia qualquer de fevereiro, vinda do nada, ela descobre a verdade. E a verdade é que o homem-rela-rela é venenoso. E a contaminou.
Eu fui casada com um homem-rela-rela. Ele era bem parecido com a rã de mesmo nome: bonitinho, simpático e aparentemente inofensivo mas, como ela, por detrás da aparência meiga, guardava um veneno mortal que quase me secou por dentro: ele se fazia de vítima. Tá, eu o traí. Ele descobriu. Me perdoou. Mas acabamos rompendo e eu carregando o fardo pesado de ser a algoz, a maldita, a injusta. E então me dei conta de que no meu último semestre de casamento meu marido só continuou comigo porque tomou um corno da amante. Mas ele preferia se manter na posição de tadinho para me punir. Ele preferiu macular nossos 3 anos de convivência para me massacrar.
Pois hoje, mais do que nunca, eu sei: caráter é essencial num homem. E coragem de arcar com o que se faz é essencial pra qualquer um.
Mas caráter é coisa complicada de se ver. Quem dera fosse tão notório como beleza ou óbvio como a inteligência, mas é sutil, mora em algum canto de acesso difícil e só sai de lá em circunstância adversas. Ou extremas. Finais de relacionamento, por exemplo. Porque é só neles que conhecemos o caráter de um homem. Ou a ausência dele.
É incrível como podemos ser felizes (na ignorância, mas felizes) até o instante em que as alianças são retiradas dos dedos e as malas, dos armários. É aí que a vida como ela é começa a acontecer: maridos amorosos se transformam em seres amargurados que fazem tudo para que suas inúmeras transas pós-separação cheguem, em detalhes, aos ouvidos ainda entristecidos da ex. Homens devotados despem a fantasia de cordeiro e lançam aos ventos "verdades" sobre a mulher que, até ontem, era maravilhosa: ela não gosta de sexo, odeia a mãe dele e é de uma carência pegajosa. Mas o pior tipo é outro, ainda mais nocivo e ainda menos evidente: o homem-rela-rela.
O homem-rela-rela é popular, divertido, bacana, apaixonado e, aos olhos da platéia (e da esposa também), o companheiro perfeito: ele a elogia em público e sua conduta com as fêmeas alheias jamais foge do "corretíssima". Mas, um dia, ela resolve se separar dele. Abismada, incrédula, a horda entoa hinos de "Tadinho, ele não merecia". Ela passa a se sentir a vaca profana que deu um pé na bunda na reencarnação de São Judas Tadeu e, de ex-mulher, vira a atual piranha que faz sofrer o pobre moço. Depois de eras de terapia, recuperada do trauma de ter agido de forma tão vil, num dia qualquer de fevereiro, vinda do nada, ela descobre a verdade. E a verdade é que o homem-rela-rela é venenoso. E a contaminou.
Eu fui casada com um homem-rela-rela. Ele era bem parecido com a rã de mesmo nome: bonitinho, simpático e aparentemente inofensivo mas, como ela, por detrás da aparência meiga, guardava um veneno mortal que quase me secou por dentro: ele se fazia de vítima. Tá, eu o traí. Ele descobriu. Me perdoou. Mas acabamos rompendo e eu carregando o fardo pesado de ser a algoz, a maldita, a injusta. E então me dei conta de que no meu último semestre de casamento meu marido só continuou comigo porque tomou um corno da amante. Mas ele preferia se manter na posição de tadinho para me punir. Ele preferiu macular nossos 3 anos de convivência para me massacrar.
Pois hoje, mais do que nunca, eu sei: caráter é essencial num homem. E coragem de arcar com o que se faz é essencial pra qualquer um.
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